O Bem e o Mal
Juarez Alvarenga Massarioli
sexta-feira, 4 de abril de 2014
"Um novato em luta de galos de rinha, antes do início
de uma luta perguntou para um frequentador habitual:
Entre o
galo branco e o preto, qual é o bom? Ele respondeu:
O branco.
Ele apostou tudo no branco. A luta começou e o preto,
rapidamente, lutou, dominou, 'detonou' o branco. Venceu a luta. O apostador
perguntou:
Você não disse
que o bom era o branco?
Sim, eu disse. O
preto era o mau...
A conclusão dessa estorinha caracteriza um fato que tem
preocupado estudiosos da ciência social já há algum tempo. O mal, pelas suas
próprias características, e por vivermos numa sociedade extremamente
competitiva e agressiva, tem mais chance de prevalecer no confronto com o bem.
Além disso, quem pratica o mal está sendo mais
valorizados pelos demais. O mal atrai mais a atenção do que o bem.
Provavelmente pelo seu inusitado, pelo comportamento extravagante dos seus
agentes, que o praticam de maneira tão casual. Essa ‘casualidade’ em
relação ao efeito chocante e destrutivo, é o que fascina – claro que não aos
que estão diretamente envolvidos, as vítimas .
A impressão que fica é que quem pratica o mal julga que não
precisa justificar nada a ninguém, considerando quem eles são - suas
origens e causas. Se eles fazem o que fazem, é porque é necessário;
se pessoas são prejudicadas, é porque estavam no seu caminho, e por aí
vai. Eles não têm consciência dos monstros que se tornaram. Passam a
considerar o seu comportamento como a coisa mais natural do mundo. E o pior, é
que os demais também. Passam a aceitá-los, porém evitando-os,
desviando-se do seu caminho, prevenindo-se. E' o que Hannah Arendt chamou
de ‘a banalidade do mal’.
Está certo isso? Considerando que nada é tão ruim que não
possa ficar pior, entendo que a sociedade precisa reagir e tentar reverter essa
situação. Como? Essa é uma missão olímpica, sem fórmula certa para o
sucesso. Mas, estudando as causas, podemos chegar a um caminho que poderia
ajudar a alterar a tendência atual. Por exemplo:
1. Por que
as pessoas passaram a considerar o mal mais normal do que o bem? Porque o
comportamento da maioria não é voltado para o bem. E o pior é que elas
nem sabem disso, tão habituadas estão a viver assim. Há necessidade de se
resgatar valores antigos, baseados em princípios cristãos, de respeito e amor
ao próximo, com todas as suas decorrências.
2. Como resgatar
os valores antigos? Isto demandaria um campanha do tipo que foi feito para
estimular as pessoas a pararem de fumar, a utilizar o cinto de segurança nos
seus automóveis...
3. Como isso
poderia ser feito? Assim como existiram órgãos públicos que coordenaram as
campanhas mencionadas, totalmente impopulares mas que deram certo, deveria
existir um específico para tratar de ‘Ética e Cidadania’.
4. Como
funcionaria esse órgão? Seria composto por técnicos especialistas,
independentemente de ideologia política ou crença religiosa, que
inicialmente definiriam os parâmetros comportamentais de uma sociedade ideal.
Na sequência:
a. Definiram as
características atuais da sociedade brasileira.
b. Estabeleceriam
um paralelo, definindo as curvas divergentes da sociedade brasileira em relação
ao projeto ‘Sociedade Ideal’.
c. Definiram as
prioridades a serem objeto de uma ação corretiva, considerando a sua
gravidade e predominância, determinadas na avaliação (a,b)
d. Desenvolveriam
e implantariam uma campanha corretiva focada nos pontos prioritários, a
nível regional inicialmente. E, após avaliação de resultados e eventuais
adaptações, a nível nacional.
e. Na sequência,
os demais pontos iriam igualmente sendo alvo de campanhas corretivas.
Paralelamente, seriam avaliados os resultados alcançados e feitas reciclagens,
para não se perder o já conquistado.
Essa proposta tem uma vantagem adicional que é a seguinte:
Os estudos que fossem feitos, muito provavelmente definiriam a causas sociais
determinantes para ocorrência das ações que devem ser combatidas. Essas causas
hoje já são conhecidas, mas não em profundidade, e não lhes é dada importância
que mereceriam por parte sistema, considerando as suas consequências.
Esse órgão ‘Ética e Cidadania’ poderia realizar um estudo
mais aprofundado dessas causas, considerando sua relevância. Esses
estudos, definiriam qual é o problema, dariam o diagnóstico – causa e efeito -,
e sugestões profiláticas, para minimizar o problema ou eliminá-lo. Quando
concluídos, seriam encaminhados para os órgãos públicos responsáveis pela área
envolvida: Educação, Saúde, Trabalho,... Esses órgãos, por sua vez,
iriam desenvolver e viabilizar a implantação de projetos de solução, no seu
âmbito de atuação.
No finalmente, causas básicas eliminadas, a sociedade mais
consciente e educada, certamente no prazo de uma ou duas gerações, teríamos
como resultado um país mais preparado para enfrentar as adversidades próprias
do mundo atual, e percorrer o caminho que o levará para o seu melhor futuro
Simples assim. Utopia? Talvez. Mas, qual sonho
que não o é? Por outro lado:
"Os sonhos são apenas sonhos, ou são a percepção de uma
vida passada, ou futura, que se manifesta agora, neste mesmo momento?"
Palavras Perdidas
Todas as manifestações de sentimentos humanos podem ocorrer
através das palavras, escritas ou faladas. Palavras podem manifestar amor,
carinho, raiva, ódio, apoio, compreensão, inveja ; umas ensinam, outras levam
ao erro, outras mentem...
Porém, existe um outro tipo de palavras. As palavras
perdidas! São aquelas que não foram ouvidas, lidas ou compreendidas.
Muitas vezes, as palavras perdidas não fazem a menor
diferença. Podem ser vazias, maldosas, falsas, erradas. Entretanto, muito pelo
contrário, podem ser importantes, emergenciais, especiais. Não podemos nos dar
ao luxo de ignorarmos qualquer palavra. Algumas podem fazer a diferença entre a
verdade e a mentira, entre a condenação e a absolvição, o paraíso e o inferno,
a alegria e a tristeza, a vida e a morte.
Foi pensando nisso que criei este blog, um espaço reservado
para guardar algumas palavras. Algumas palavras que, de outra forma, poderiam
ser perdidas. Quem sabe, hoje ou algum dia, alguma delas, mereça ou deva ser
ouvida, lida, compreendida.
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