segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Bondade infinita de Deus ante as desordens e sofrimentos existentes no mundo

Bondade infinita de Deus ante as desordens e sofrimentos existentes no mundo

Mozar Costa de Oliveira — bacharel em filosofia (Universidad Comillas de Madrid), mestre e doutor em direito (USP), desembargador aposentado (Tribunal de Justiça de São Paulo), professor aposentado de direito (Universidade Católica de Santos, São Paulo).

Toda a gente sabe o quanto é intrincado este problema (acima, os dois conjuntos de conceitos opostos entre si). Difíceis para pensadores das mais diversas especialidades; também labutam nele as diferentes classes de artes. Surge-nos a ideia de modestamente tocarmos no mesmo assunto em rápidas palavras.
(Trabalho teológico de peso, cerca de 34 páginas, me foi enviado por "e-mail" por um ex-colega de curso de filosofia realizado na Universidad Comillas de Madrid. Trata-se do padre jesuíta P. Manuel Cabada Castro, hoje residente em Vigo, Espanha. Autorizado pela autor amigo, este estudo já está no meu http://mozarcostadeoliveira.blogspot.com).

1º) Parece certo que o ser aqui, o existir neste mundo é bom; o número de suicidas é relativamente pequeno quando o comparamos com o número de habitantes da Terra.
2º) Mas, de outro lado, parece também ser incontável a quantidade de sofrimentos dos seres  humanos. A despeito disto, os numerosos crentes em Deus o têm como Ser Superior, Pai amantíssimo e bondade infinita.  
Em assim sendo, como se compaginam ou não se compaginam essas duas sentenças difíceis — esta é a questão.
Bem, segundo pensam os teólogos católicos, Deus existe desde todo o sempre. É infinito em tudo quanto os homens conseguimos entender como “Bem”. É infinitamente perfeito. O que Ele não pode é ser contraditório porque seria imperfeito. Não poderia fazer um universo infinitamente perfeito já que estaria “fabricando” um outro Deus. Deus só pode ser um só, se não Ele próprio não seria infinitamente perfeito — haveria outrem com perfeições que não seriam as do “primeiro Deus”.
Temos, pois, de pensar que toda a criação, embora seja bom ser criado, toda ela, repito, é limitada nas suas qualidades, mesmo sendo todas elas boas nos seus predicados. No conglomerado de galáxias podem ocorrer choques imensos, com diminuição das massas e a conversão delas em energia. Em volta do sol a nossa pequena Terra gira e, segundo os astrônomos, o Sol pertence à Galáxia “Anã de Sagitário”, a qual está pouco a pouco sendo engolida atualmente pela Via Láctea, esta feita por mais de 200 bilhoes de estrelas. Os “buracos negros” existem; sua força gravitacional é tanta que nem sequer a luz escapa à sua atração. O que nele cai não pode escapar nunca mais...
As distâncias interestelares sâo medidas em anos-luz. Ao reverso, há os tamanhos nano (de 0,000000001 metro) com nanotecnologia e nanobiotecnologia. É mesmo minúsco o menor ser vivo conhecido, a “bactéria anã”. Parece mesmo que todo ser vivo sofre com algum tipo de agressão e as agressões são continuadamente repetidas. O homem é um dos seres vivos sujeitos a muitos tipos de agressão como medos, doenças, dores nos órgãos corporais e na psique (dores morais), Por fim, a morte violenta ou não violenta.
Ora bem, sendo Deus o Pai infinitamente bom, como então deixa Ele assim ao léu os seus filhos queridos?
Parece que não podia ser diferente, não seria coisa de seres criados, de seres finitos, mas ocorre que o fato de ser criado como ente finito é um bem. Quer isto dizer que o mal na vida, o mal no mundo é modo de ser próprio de quem é finito por sua própria natureza. De modo que o sofrimento tem efetivamente de ter existido e terá que existir no presente e no futuro. Não fosse assim, então nem o homem nem qualquer outra coisa poderia existir porque necessariamente faz parte intrínseca da sua essencial história a finitude criada. Esta finitude vem ser a consequente geradora natural de sofrimento. O mal no mundo advém da finitude dos seres criados. Não existiriam se não fossem criados, sendo que no universo por nós conhecido o fato de ser criado é a base de todo o bem humano. Em outras palavras, Deus não criou o mal nem foi maldoso por ter criado o homem conhecido precisamente do modo que ele é.
Esta situação, repetindo, é ínsita ao mundo atual (é-lhe congênita, é-lhe inata). Parece ser possível que haja em outros eventuais pedaços de eventual outro Espaço-tempo diferente do nosso Espaço-tempo. Nesses casuais, fortuitos, meramente pensados pedaços de eventual outro Espaço-tempo parece que ninguém pode afirmar nem negar que haja algum ser criado, ou muitos deles, sem a desagradável experiência do sofrimento, do mal (?).
 




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